17.4.18

O Amor é fogo que arde sem se ver; é um soneto de Camões, grande escritor
português autor de Os Lusíadas.

Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor

Para que possamos analisar o poema de Camões, é necessário ter noção do
que é um poema lírico... O que seria um poema lírico?
O poema lírico surgiu na Grécia Antiga e era declamado em forma de canto,
acompanhado com instrumentos musicais que proporcionavam o ritmo e a melodia.
Um exemplo de instrumento era a lira, que era semelhante a uma arpa .Alias, o
"lírico" é derivado da palavra lira.
É possível identificar no poema esta musicalidade e rítmica, na seguinte
estrofe:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

O que caracteriza a poesia lírica é a presença de um "eu-lírico" no poema,
que expressa determinada emoção em versos que rimam, além disso possui
peculiaridades como percepção visual e simbolismo.
A percepção visual pode ser definida no momento em que as palavras se
descrevem e são relacionadas a imagens reais, o leitor imagina essas imagens sem
que seja preciso representar no papel.
Por exemplo no verso:

Amor é fogo que arde sem se ver,

Ao lermos a palavra "fogo" automaticamente imaginamos uma
fogueira, um fósforo queimando, etc. É desta maneira que a percepção visual
acontece na nossa mente.
O simbolismo acontece quando existe uma certa ambiguidade (duplo
sentido):

é um andar solitário entre a gente;

Ao fazer uma análise mais atenta podemos considerar vários pontos de vista
sobre esse mesmo verso, como: Um andar solitário poderia ser literalmente alguém
andando sozinho; distanciamento entre duas pessoas no amor ou alguém que se
sente abandonado sentimentalmente.





28.11.17

Na Islândia, o Natal tem cheiro de papel

Lima Barreto, uma voz que nasceu negra na literatura


Lima Barreto


Em biografia de Lilia Schwarcz, escritor discute o racismo no Brasil recém saído da escravidão.


"No topo da ficha da primeira internação de Affonso de Henriques de Lima Barreto no Hospício Nacional, o escritor é identificado como branco. O ano era 1914, o diagnóstico alcoolismo, a cidade Rio de Janeiro. Logo abaixo do cabeçalho, contudo, uma foto em sépia desmente a informação sobre sua cor. Assim como um sem número de intelectuais e homens públicos brasileiros, que eram negros, mas foram repetidamente retratados como brancos, Lima, ainda em vida, foi tomado pelo que não era. No seu caso, contudo, o “branqueamento” é ainda mais absurdo, pois ser negro, no último país a abolir a escravidão no mundo, foi questão central da vida e obra do escritor brasileiro."



Lima Barreto em sua primeira internação por alcoolismo


“Nos personagens, nas tramas, em escritos pessoais, a atenção para a questão racial e as descrições dos tipos físicos dos personagens estão sempre em evidência”, diz a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz. Se no começo do século XX, o determinismo racial – que dizia que populações mestiças e negras eram biologicamente mais fracas – estava em voga, Lima aparecia como uma voz dissonante, combativa e, muitas vezes, solitária. “A capacidade mental do negro é medida a priori, a do branco a posteriori”, escreveu em seu Diário, em 1904, oferecendo um retrato claro do teor de racismo que vicejava no Brasil pós abolição da escravatura."

O tema racial, não por acaso, é também o de maior relevância na biografia Lima Barreto: Triste Visionário, que Schwarcz lança em 10 de julho, pela Companhia das Letras. “O Lima é um personagem bem interpretado. Toda a leva de pesquisadores que seguiram o Francisco de Assis Barbosa, seu primeiro biógrafo e difusor de sua obra, é excelente. A pergunta que eu fiz, que não se tinha feito muito ainda, é sobre a questão racial”. Neto de escravos e filho de pais livres, nascido no dia 13 de maio de 1881, na mesma data em que sete anos depois a lei áurea colocaria um fim na escravidão, Lima abordou o tema a partir de sua própria experiência. Sua obra, nesse sentido, é extremamente autobiográfica."
Escrito por André De Oliveira (24/07/2017)

O resto da reportagem pode ser encontrada em:

Acesso em: 28/11/2017



 
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