8.8.17

Os ombros suportam o mundo...

Nasceu em Itabira, Minas Gerais em 1902. Consagrado poeta brasileiro, seu conjunto de obras o tornou um dos principais nomes na literatura brasileira do século XX. Esse poeta é Carlos Drummond de Andrade. As obras poéticas retratam: o conflito social, a família e os amigos, a existência humana, a visão sarcástica do mundo e das pessoas e também as lembranças da terra natal.

   Os ombros suportam o mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação


10.7.17

Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta. 
Hoje não a lastimo. 
Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim. 
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, 
que rio e danço e invento exclamações alegres, 
porque a ausência, essa ausência assimilada, 
ninguém a rouba mais de mim. 

Poema escrito por Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) foi um poeta brasileiro. "No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho". Este é um trecho de uma das poesias de Drummond, que marcou o 2º Tempo do Modernismo no Brasil. Foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX.
o poema trata sobre o sentimento de ausência, de vazio a nossa volta é algo que acontece muito frequentemente hoje em dia e as vezes isso ocorre pela falta de alguém importante naquele momento, porém esse é um sentimento nosso, de cada um e que dificilmente sairá de nós.

Referências:
Disponível em <http://www.citador.pt/poemas/ausencia-carlos-drummond-de-andrade> acesso : 05/07/2017
CUNHA, Antonieta. Disponível em:<http://www.passeiweb.com/estudos/sala_de_aula/portugues/carlos_drummond_de_andrade > acesso 05/07/2017

4.7.17

João Guimarães Rosa


João Guimarães Rosa
Guimarães Rosa (João G. R.), contista, novelista, romancista e diplomata, nasceu em Cordisburgo, MG, em 27 de junho de 1908, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19 de novembro de 1967.
Além do prêmio da Academia Brasileira de Letras conferido a Magma, Guimarães Rosa recebeu o Prêmio Filipe d'Oliveira pelo livro Sagarana (1946); Grande sertão: Veredas recebeu o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1956) e o Prêmio Paula Brito (1957); primeiras estórias recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil (1963).
Em 1952, Guimarães Rosa fez uma longa excursão a Mato Grosso e escreveu o conto "Com o vaqueiro Mariano", que integra, hoje, o livro póstumo Estas estórias (1969), sob o título "Entremeio: Com o vaqueiro Mariano". A importância capital dessa excursão foi colocar o Autor em contato com os cenários, os personagens e as histórias que ele iria recriar em Grande sertão: Veredas. É o único romance escrito por Guimarães Rosa e um dos mais importantes textos da literatura brasileira. Publicado em 1956, mesmo ano da publicação do ciclo novelesco Corpo de baile, Grande sertão: Veredas já foi traduzido para muitas línguas.
 Por ser uma narrativa onde a experiência de vida e a experiência de tex
to se fundem numa obra fascinante, sua leitura e interpretação constituem um constante desafio para os leitores.
Principais Obras Guimarães Rosa
·                     1936Magma
·                     1946Sagarana
·                     1947Com o Vaqueiro Mariano
·                     1956Corpo de Baile
·                     1956Grande Sertão: Veredas
·                     1962Primeiras Estórias
·                     1964Campo Geral
·                     1965Noites do Sertão
·                     1967Tutaméia – Terceiras Estórias
·                     1969Estas Estórias (póstumo)
·                     1970Ave, Palavra (póstumo)

Referencia:

http://www.academia.org.br/academicos/joao-guimaraes-rosa/biografia

22.6.17


                  William Butler Yeats

   Ontem foi aniversário de nosso grande poeta e escritor, Machado de Assis, 178 anos desde que veio ao mundo. Mas hoje vamos falar de um outro poeta, também nascido em junho, posto que de Machado de Assis muitos devem saber em nosso meio e no país, ao contrário desse outro. Estamos falando do poeta irlandês William Butler Yeats (1865-1939). Ele nasceu em meio a uma minoria protestante anglo-irlandesa que havia controlado a católica Irlanda social, econômica e polititcamente desde o século XVII, pelo menos. Também viveu 14 anos de sua juventude em Londres. Todavia, ele manteve suas raízes culturais irlandesas, afirmando sua identidade não como inglesa, mas irlandesa, inclusive no campo literário, onde trabalhou com as lendas e heróis nacionais.
   Yeats é um dos grandes nomes da poesia de língua inglesa dos tempos modernos, bem como da Irlanda. Foi também um intelectual engajado na causa nacional, quando os irladeses ainda estão sob domínio da Coroa britânica. Abaixo temos dois poemas seus, traduzidos e no original.


Versos escritos em desalento 

Quando é que eu vi pela última vez 
Os olhos verdes redondos e os corpos longos vacilantes 
Dos leopardos escuros da lua? 
Todas as bruxas selvagens, aquelas senhoras muito nobres, 
Por todas as suas vassouras e as suas lágrimas, 
Suas lágrimas de raiva, fugiram. 
Os santos centauros das colinas desapareceram; 
Não tenho nada para além do amargado sol; 
Banida mãe lua heróica e desaparecida, 
E agora que cheguei aos cinquenta anos 
Tenho que aguentar o tímido sol. 

( tradução: António de Campos )



Lines written in Dejection

WHEN have I last looked on 
The round green eyes and the long wavering bodies 
Of the dark leopards of the moon? 
All the wild witches, those most noble ladies, 
For all their broom-sticks and their tears,         
Their angry tears, are gone. 
The holy centaurs of the hills are banished; 
I have nothing but the harsh sun; 
Heroic mother moon has vanished, 
And now that I have come to fifty years
I must endure the timid sun.

Com o tempo a sabedoria

Embora muitas sejam as folhas, a raiz é só uma; 
Ao longo dos enganadores dias da mocidade, 
Oscilaram ao sol minhas folhas, minhas flores; 
Agora posso murchar no coração da verdade.

(tradução: José Agostinho Baptista)



The Coming of Wisdom with Time

THOUGH leaves are many, the root is one; 
Through all the lying days of my youth 
I swayed my leaves and flowers in the sun; 
Now I may wither into the truth.

14.6.17

Carolina Maria de Jesus


           Desconhecida para muita gente porém muito importante para nossa literatura,nascida em Minas Gerais, mais precisamente em Sacramento,  Carolina Maria de Jesus catadora de lixo, escrevia sobre seu cotidiano e pensamentos em cadernos encontrados no lixo, esses que viraram um diário onde Carolina descrevia seus pensamentos, sobre seu cotidiano, a desigualdade, e as coisas que compõe a condição humana. Os erros gramaticais, livres de edição, talvez para mostrar o valor de seu conteúdo mesmo fora da norma culta, nos trazem uma literatura única.
          Quarto de despejo foi seu maior sucesso, porém é um material difícil de ser encontrado em livrarias, mesmo Carolina sendo uma das escritoras brasileiras mais expressivas, sendo traduzida para mais de dez idiomas.
          Em todo o material escrito por Maria (seis romances, cerca de 67 crônicas e mais de cem poemas, além é claro de "Quarto de despejo") vemos claramente sua opinião do mundo, desigual, discriminando isolando e ignorando a existência de minorias, a escritora então pode fazer com que seja ouvida  a voz de quem ninguém ouvia, fazer com que vissem aqueles que eram invisíveis para a sociedade.
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"Preparei a refeição matinal. Cada filho prefere uma coisa. A Vera, mingau de farinha de trigo torrada. O João José, café puro. O José Carlos, leite branco. E eu, mingau de aveia.
Já que não posso dar aos meus filhos uma casa decente para residir, procuro lhe dar uma refeição condigna.
Terminaram a refeição. Lavei os utensílios. Depois fui lavar roupas. Eu não tenho homem em casa. É só eu e meus filhos. Mas eu não pretendo relaxar. O meu sonho era andar bem limpinha, usar roupas de alto preço, residir numa casa confortável, mas não é possível. Eu não estou descontente com a profissão que exerço. Já habituei-me andar suja. Já faz oito anos que cato papel. O desgosto que tenho é residir em favela."
(Trecho de Quarto de Despejo, 1960)
A filha de Carolina, Vera Eunice, hoje professora, contou, em entrevista, que sua mãe aspirava a se tornar cantora e atriz.
Aos quase 63 anos, em 13 de fevereiro de 1977, Carolina faleceu, vitima de insuficiência respiratória.

6.6.17


          William Shakespeare escreveu sonetos durante o apogeu do gênero, pois em 1598 Francis Meres, em seu Palladis Tamia: Wit´s Treasury elogiou Shakespeare e seus: “sonetos açucarados entre seus amigos particulares.” Mesmo se eles não estivessem impressos até o momento, nós sabemos que eles circulavam em manuscritos entre os conhecedores e mereciam respeito. Shakespeare pode de fato ter preferido postergar a publicação de seus sonetos, não por alguma indiferença dos seus valores literários, mas por um desejo de não parecer muito profissional. Os que “faziam a corte” da Renascença Inglesa, aqueles cavalheiros que as realizações supostamente incluíam a versificação, olhavam para a escrita de poesia com uma evocação designada para entreter um companheiro ou para cortejar uma dama. A publicação não era muito polida, e muito desses autores apresentavam consternação quando seus versos eram pirateados na impressão.
Abaixo, o Soneto de n° 88 de William Shakespeare, publicado em 1609.
SONETO LXXXVIII

Quando me tratas mau e, desprezado, 
Sinto que o meu valor vês com desdém, 
Lutando contra mim, fico a teu lado 
E, inda perjuro, provo que és um bem. 
Conhecendo melhor meus próprios erros, 
A te apoiar te ponho a par da história 
De ocultas faltas, onde estou enfermo; 
Então, ao me perder, tens toda a glória. 
Mas lucro também tiro desse ofício: 
Curvando sobre ti amor tamanho, 
Mal que me faço me traz benefício, 
Pois o que ganhas duas vezes ganho. 
Assim é o meu amor e a ti o reporto: 
Por ti todas as culpas eu suporto.

William Shakespeare


2.6.17

Sejamos Todos Feministas por Chimamanda Ngozi Adichie

“Sejamos Todos Feministas”
Por Chimammanda Adichie

Em seu discurso “Sejamos todos feministas”, lançado em e-book pela Companhia das Letras, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie relata suas experiências sobre a questão do feminismo. A escritora relata que foi definida como “feminista” pela primeira vez em uma discussão com um amigo quando tinha apenas 14 anos, e que não foi um elogio. No momento ela desconhecia o conceito do termo feminista, mas logo que chegou em sua casa foi buscar o significado no dicionário.
Não adiantou terem colado tantos pesos negativos para afastar Chimamanda do feminismo. Ela está mais preocupada em desconstruir essa sociedade que ensina que homens são superiores as mulheres. 



Com o passar dos anos e com a publicação de seus romances, Chimammanda foi considerada pelos críticos como uma autora feminista. A autora coloca em debate, através de seus romances, a questão da desigualdade de gênero. Ela defende que a sociedade deve repensar os ideais de gênero, e que o feminismo é o caminho para entrarmos nessa discussão. Portanto, sejamos todos feministas, em busca de uma sociedade sem desigualdade.   

23.5.17

Trem de Ferro, de Manuel Bandeira

O poeta Manuel Bandeira (1881-1968) nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, no dia 19 de abril de 1886. Publicou seu primeiro livro "A Cinza das Horas", de nítida influencia Parnasiana e Simbolista, no ano de 1917.  Em 1938, é nomeado professor de Literatura do Colégio Pedro II. Em 1940 foi eleito para Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de nº24. Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de outubro de 1968.
O poema "Trem de Ferro" foi escrito por Bandeira na década de 1930. O poema é muito conhecido, principalmente, pelas crianças, no entanto, parece que não foi escrito apenas para criança, apesar da linguagem de fácil compreensão, ele nos instiga a buscar a criança que mora dentro de nós, conduzindo-nos a uma viagem de trem. A linguagem coloquial é muito marcante no poema, tomemos como exemplo as palavras: "prendero", "canaviá", "matá", "mimbora". O uso desse tipo de linguagem valoriza a cultura nacional
Os versos fazem-nos acompanhar o andar do três, por exemplo: "Café com pão/ Café com pão/ Café com pão Virgem Maria que foi isto maquinista?". Ao lermos esse poema, temos uma imagem acústica que cria o som de um trem. O trem naquela época era muito utilizado, era o principal meio de transporte da agricultura, essencial para nossa economia. Além disso, temos aqui versos tetrassílabos, e pressupõem uma velocidade linear, e correspondente ao início de uma viagem. Nos versos seguintes, temos as palavras "muita força", que se repetem em três versos, e possuem três sílabas poéticas - Mui (1ª) / ta (2ª) / For (3ª) ça (não conta, pois é pós-tônica), o que dá a entender que o trem começa a andar mais rápido.
Neste poema, percebemos a influência do Modernismo, pois há o rompimento com as normas poéticas, versos livres e com menos rimas. Há uma buscar pela cultura popular, principalmente a nordestina. Aqui podemos citar uma cantiga antiga folclórica nordestina, denominada "Trem de Ferro": “O trem de ferro quando sai de Pernambuco vai fazendo vuco-vuco até chegar no Ceará Rebola pai, rebola mãe, rebola filha eu também sou da família também quero rebolá".
Por fim, notamos a melancolia do eu-lírico ao mencionar a saudades de sua terra e versos trissílabos continuam dando a ideia de velocidade e continuidade para a viagem, já que o poema termina com reticências.

Referências

BANDEIRA, Manuel. Bandeira de bolso: uma antologia poética. Organização e apresentação de Mara Jardim. Porto Alegre: L&PM, 2015



https://www.ebiografia.com/manuel_bandeira/

16.5.17

RONALD DE CARVALHO


Ronald de Carvalho nasceu 16 de maio de 1893 no Rio de janeiro e faleceu dia 15 de fevereiro de 1935. Poeta, ensaísta e memorialista. Filho do engenheiro naval Artur Augusto de Carvalho, integrante da Revolta da Armada, 1893 a 1894, que é fuzilado pelas forças legalistas do governo Floriano Peixoto. Criado e instruído pelo avô até 1899, conclui os estudos primários e secundários aos 14 anos. Nesse período, ingressa na Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, e inicia a carreira de jornalista, colaborando com a revista A Época e o Diário de Notícias.
Publicou seu primeiro, Luz gloriosa (1913) que revela influencia de Verlaine e Baudelaire, e ingressou na carreira diplomática (1914), estabelecendo-se em Lisboa, Portugal. Continuou conciliando a atividade literária com a diplomacia, publicou mais poemas, de forte cunho simbolista.

Interior


Poeta dos trópicos, tua sala de jantar
é simples e modesta como um tranqüilo pomar;

 
no aquário transparente, cheio de água limosa,
nadam peixes vermelhos, dourados e cor de rosa;

 
entra pelas verdes venezianas uma poeira luminosa,
uma poeira de sol, trêmula e silenciosa,

 
uma poeira de luz que aumenta a solidão.

 
Abre a tua janela de par em par. Lá fora, sob o céu de verão,
Todas as árvores estão cantando! Cada folha
é um pássaro, cada folha é uma cigarra, cada folha é um som...
O ar das chácaras cheira a capim melado,
a ervas pisadas, a baunilha, a mato quente e abafado.

 
Poeta dos trópicos,
dá-me no teu copo de vidro colorido um gole d’água.
(Como é linda a paisagem no cristal de um copo d’água!)


Publicado no livro Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922).
In: CARVALHO, Ronald de. Poesia e prosa. Org. Peregrino Júnior. 2.ed. Rio de Janeiro: Agir, 1977. (Nossos clássicos, 45). p.34.
 
 

11.5.17

Talentos do Paraná



Buscando enaltecer os talentos paranaenses, falemos um pouco sobre o escritor Domingos Pellegrini Junior.


       Domingos nasceu no dia 23 de julho de 1949, na cidade de Londrina onde vive até hoje. Escritor paranaense, formado em letras lançou seu primeiro livro em 1977, uma coletânea de contos chamada “O homem vermelho”, que foi a obra que fez com que Domingos ganhasse, no mesmo ano, um dos mais importantes prêmios literários do país (Prêmio Jabuti), o autor voltaria a ganhar o mesmo premio em 2001 com o romance “O caso da chácara chão”. Além da literatura, Domingos escreve para jornais, revistas e atua na publicidade. Uma das obras de grande destaque chama-se “Terra vermelha’, onde o autor conta a história da colonização do estado do Paraná.
         Atualmente, ele vive em uma chácara (chácara chão) em sua cidade natal e é colunista em um jornal local. Domingos é considerado um autor pós-moderno e seus escritos são voltados para contos, poesias, romances e romances juvenis.


Mudanças
Por: Domingos Pellegrini Jr.
O tempo pôs a mão na tua cabeça e ensinou três coisas.
Primeiro:
Você pode crer em mudanças quando duvida de tudo, quando procura a luz dentro das pilhas, o caroço nas pedras, a causa das coisas, seu sangue bruto.
Segundo:
Você não pode mudar o mundo conforme o coração. Tua pressa não apressa a história. Melhor que teu heroísmo é tua disciplina na multidão.
Terceiro:
É preciso trabalhar todo dia, Toda madrugada para mudar um pedaço de horta, uma paisagem, um homem.
Mas mudam, essa é a verdade.
 

2.5.17

Baudelaire e Guys: O pintor da vida Moderna

At the teather - Guys
Charles Baudelaire escreveu um ensaio chamado “O pintor da vida Moderna” iniciado em 1863, sendo concluído em 1868 sob o título de L’Art Romantique. Baudelaire analise a figura do pintor na vida moderna e sua relação com vários setores e pessoas que estão ligadas a arte.
No inicio da obra o autor expõe uma crítica em relação as pessoas que valorizam mais as obras de arte clássicas do que aquelas produzidas por artistas menores. Salienta a importância da moda e da sua contextualização para compreendermos o passado e o presente, pois segundo Baudelaire “o passado é interessante não só pela beleza que dele souberam extrair os artistas para os quais ele era o presente, mas igualmente como passado, por seu valor histórico”. Nesse trecho Baudelaire explana que as vestimentas antigas que provocam risos e espanto carregam valores de uma determinada época. Ao longo da reflexão sobre o “artista” e o “homem do mundo”, o poeta francês utiliza como exemplo um amigo que é Constatin Guys – pintor e desenhista (1805-1892), que conhece muito o mundo da moda. Para Baudelaire, C. G é um típico “homem do Mundo”, pois ele não é somente um artista é um individuo que possui interesse pelo mundo inteiro, que deseja saber, entender e conhecer. Enquanto o “artista” vive no mundo moral e político o “homem do mundo” é uma pessoa espiritual do universo. O “homem do mundo” esta sempre atento com os olhos de águia contemplando as pequenas mudanças, as coisas que parecem insignificantes. Um dos elementos que o “homem do mundo” busca é a modernidade. Esta caracteriza-se pelo transitório, efêmero, como aponta Baudelaire “a modernidade é metade da arte e a outra metade é o eterno e o imutável”. São os pequenos detalhes que o pintor da modernidade arrebata da multidão e tenta representar por meio de seus elementos.

A França, especialmente Paris estava passando por múltiplas transformações urbanas arquitetadas por Haussmann que mudaram profundamente o cotidiano das pessoas. Esse contexto de mudanças permite que Baudelaire escreva e reflita sobre a modernidade em Paris focalizando na arte. Para ele os pintores do século XIX deveriam ter o compromisso de retratar os elementos de seu tempo, ou seja, retratar as mudanças que estavam ocorrendo, a vida moderna. Por isso Baudelaire denomina Guys como “homem moderno”, pois, considera que em suas pinturas o artista contempla as paisagens da cidade (as carruagens, o andar das mulheres, as belas crianças, a limpeza reluzente dos lacaios, a destreza dos criados. Ele torna-se diferente de outras artistas para Baudelaire porque buscou a beleza passageira do presente.


 
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