27.4.11

Você tem fome de quê?

Todas as pessoas, em sã consciência, ficam indignadas com a fome que assola o mundo e também o Brasil. Estatísticas dão conta de que um terço da população brasileira é mal nutrida, 9% das crianças morrem antes de completar um ano de vida. Herbert de Souza, o Betinho, afirmou que “Quando uma pessoa chega a não ter o que comer é porque tudo o mais já lhe foi negado .” É a morte em vida. Instaura-se, dessa forma, uma grande contradição, pois sendo o Brasil o quinto país em extensão territorial com 8,5 milhões de hectares de terras e que produz 70 milhões de toneladas de grãos, é de se escandalizar com o número crescente e gigantesco de miseráveis famintos.

Por outro lado, surgem as “fomes” geradas no seio da modernidade, a fome de conhecimento, de carinho, de justiça, de prazer. Esse tipo de fome vem mascarado, por isso é tão perigoso. Não que a carência de alimentos não seja, mas ela está diante dos olhos de todos que veem e enxergam.
A fome a que se refere é a que nasce da angústia do homem moderno, que no afã de querer ser super-homem, esquece-se de que além de alimentar o físico, é essencial que se sacie a alma.
Quantos se esquecem de se abastecerem com conhecimento, que é , sem dúvida, o passaporte para a cidadania efetiva, que não lêem por não ter tempo, que não se aprimoram porque já sabem tudo, que ignoram o que semelhante diz, porque se satisfazem com o universo limitado do próprio conhecimento...
Já a fome de carinho é visível se for feita uma análise do crescimento da agressividade, do nepotismo, da falta de solidariedade, e a raiz de tudo isso é a carência de afetividade que surge independente da classe social, da idade, do sexo...
Sem falar na fome de Justiça que sofrem milhares de cidadãos que se sentem ultrajados por não terem seus direitos colocados em prática, é como se o muro do poder impedisse que a Justiça chegasse a todos sem distinção...
É assustador perceber com que naturalidade fomos virando um país de “famintos”, com que rapidez fomos produzindo “indigentes” em todos níveis. Nesse momento, é que se crê que a fome que destrói qualquer tipo de progresso, é a fome de prazer, pois só com vontade, com gosto pelo que se faz é que se consegue acabar com as “fomes “ que levam à degradação humana, porque é com a indiferença que se construí esse cenário dantesco. E somente com a fome saciada é que se será incorporado, novamente, ao mapa da cidadania plena, geral e irrestrita, enfim democrática e, por que não, prazerosa.
E você tem fome de quê?
Nincia Cecília Ribas Borges Teixeira

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