Pular para o conteúdo principal

Falando "guarapuavês"

Como boa nortista do Paraná, não pude deixar de reparar nas expressões guarapuavanas, que até então eu não ouvia na minha região. No começo, eu estranhava o jeito que o pessoal fala por aqui, e até hoje rio de algumas palavras que eles usam para se expressar.


O curioso é observar como nós absorvemos com facilidade outras culturas quando passamos algum tempo inseridos nelas. Estou em Guarapuava há quase dois anos, e a única coisa que falta para eu me inserir de vez na cultura daqui é pronunciar as palavras com terminação “e” e “o” da mesma forma como nós a escrevemos (leitE, gentE, quandO).


Eu escolhi algumas expressões (e seus significados) que, a meu ver, são os mais usados nas conversas guarapuavanas. Abaixo seguem essas expressões, e alguns exemplos de como o pessoal as usa entre uma frase e outra.


Se você, como eu, não é de Guarapuava, com certeza já reparou que o pessoal fala assim o tempo todo. Se ainda não conhece Guarapuava mas pretende vir pra cá um dia, é interessante que você entenda como usar algumas delas.

*Viu?!: Expressão essencial para a comunicação em Guarapuava. Serve para iniciar qualquer conversa, chamar alguém ou anunciar um pensamento. Ao invés de chamar a pessoa pelo nome, você diz “viu”. Aplicação numa frase: "Viu, onde você estava ontem?"

*Pois olha: Geralmente usado para iniciar uma resposta. Aplicação numa frase: "Pois olha, não sei se vou estar em casa amanhã à noite."

*Já gosto: Essa expressão só pode ser explicada com um exemplo: Eu já gosto de calor, heim fulano?! Os guarapuavanos usam o “já” na frente da maioria das coisas que vão dizer que gostam.

*Trabalhandinho, estudandinho, fazendinho: Os guarapuavanos têm apreço pelos verbos no diminutivo. Neste caso as palavras significam a mesma coisa que seu sentido original. O diferencial é o charme de pronunciar no diminutivo.

*Resbalar: Escorregar, tropeçar. Exemplo: "Loka do céu, resbalei no meio da rua ontem!"
#A grafia correta da palavra é resValar, mas a palavra é popularmente pronunciada com “b”.

*Piec pombom (não sei se é assim que se escreve): gangorra.

*Loko de bom: Expressão efusiva para quando algo está muito bom.

*Loka do céu: Expressão de aflição usada quando alguém vai contar algo absurdo ou fica chocado com alguma coisa.

*De legal: Expressão um pouco confusa que significa algo como “de legal que você é. você é legal/ porque você é legal". Aplicação na frase: "Ai, de legal!"

*Ui ui ui: Pode ser usado como desabafo, suspiro, reclamação, na hora em que você quiser, como você quiser. (Isso inclui no trabalho. Já vi chefe reclamando de algo apenas dizendo "ui ui ui"!)

*Mãe do mato: Usado como reação para alguma coisa absurda que acabou de ser vista/contada.

*Mãe do galeto: Tem o mesmo uso da expressão acima. Exemplo: "Mãe do galeto, caiu um satélite no Brasil!"


Confesso que ouvir o pessoal dizendo "ui ui ui" me arranca boas risadas!

Mas e aí, colegas guarapuavanos, as expressões e seus respectivos significados conferem?
=)

Comentários

  1. Olá! Também sou do Norte do Paraná (região de Maringá) e uma das expressões interessantes que ouço em Guarapuava é quando se diz que está em casa, o guarapuavano fala "estou na casa".
    Parabéns pelo blog!

    ResponderExcluir
  2. Ihh, muita gente tem tempo pra reparar na forma como as pessoas se comunicam, sempre querem tirar sarro de alguma coisa ou de alguém, à propósito, começou a Dozena no Santuário de Nossa Senhora de Assunção Aparecida, no bairro Bonsucesso, faça algo útil e publica a respeito das festividades que ocorrem todas as noites após as missas e consagração à Nossa Senhora. Quem sabe assim vc aprende à ser mais humilde, abraços e fica na paz!

    ResponderExcluir
  3. Jaqueline,
    parabéns pela matéria. Oportuna sua observação a respeito do modo de falar Guarapuavano. Diferentemente do comentário do segundo "anônimo" acima (Infeliz em sua colocação anônima), eu acho que a riqueza de um povo está nas diferenças. Diferenças que só são visíveis quando se conhece outras paragens.
    Jaqueline, podes continuar a observar os modus vivendi, pois tua profissão tem tudo a ver com essas descobertas.
    Rui Carneiro (guarapuavano vivendo em Guaratuba).

    ResponderExcluir
  4. tem mais algumas aqui
    http://desciclopedia.ws/wiki/Guarapuava

    ResponderExcluir
  5. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  6. Olá anônimo 1. Verdade, eu percebi isso também! Na nossa região temos as nossas expressões, e dizer "na casa" é uma das que não falamos, né? rsrs
    Em compensação, dizemos "véi", "relar", etc... hahaha

    Oi, anônimo 2. Obrigada pela sugestão, e por acompanhar o nosso blog! Gostaria de deixar claro que em momento algum a idéia foi debochar do guarapuavano, até porque, se você leu ali em cima, eu disse que eu mesma uso todas essas expressões também!
    Quanto a sugestão, veremos o que eu posso fazer, mas continue sugerindo pautas para nós, pq aqui no blog elas são muito bem vindas! =))

    ResponderExcluir
  7. Obrigada, Rui Morel! Acho interessante ressaltarmos as diferenças culturais que nossa região tem. Até porque, cada região tem sua peculiaridade, não é mesmo? E isso não pode ser vergonha de forma alguma =)

    ResponderExcluir
  8. aaaaah sai fora! vc é das antigas véio loko... eu de guarapuava aqui e nem eu falo muito assim, mais nóis agora falamos de massa, de gala coisas assim, doque falar ai de legal epá
    então quero que va se foder mano véio (y)

    ResponderExcluir
  9. muinto massa seu blog, viu tems mas algumas palavras para por ai, muinto legal.sou guarapuava e adorei

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

RESUMO DA OBRA "VÁRIAS HISTÓRIAS", DE MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de família pobre e mulato, sofreu preconceito, e  perdeu a mãe na infância, sendo criado pela madrasta. Apesar das adversidades, conseguiu se instruir. Em 1856 entrou como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional. Posteriormente atuou como revisor, colaborou com várias revistas e jornais, e trabalhou como funcionário público. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Algumas de suas obras são Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, O Alienista, Helena, Dom Casmurro e Memorial de Aires. Faleceu em 29 de setembro de 1908.
Contexto Histórico
Várias histórias foi publicado em 1896, fazendo parte do período realista de Machado de Assis. Os contos da obra são profundamente marcados pela análise psicológica das personagens, além da erudição e intertextualidade que transparecem, como por ex., referências à música clássica, a clássicos da literatura, bem como a histórias bíb…

Lendas de Guarapuava

Por Elis Oliveira
Há quem acredite que Guarapuava é uma cidade permeada por lendas. Quem nunca ouviu alguém contar a sua versão para a lenda da Lagoa das Lágrimas, um dos lugares mais visitados da cidade, construída por volta de 1964 a 1968, ou a lenda da Capelinha do Degolado, muito conhecida pela região, que foi até tema de um programa de televisão no ano de 2010. Também tema lenda do Baile das Feias, sobre a passagem das tropas de Gumercindo pela nossa cidade, conta-se que no tempo dos maragatos da Revolução Federalista,Guarapuava,como outras cidades do Paraná, sofreram por fazer parte da rota das tropas que vinham do Rio Grande do Sul nessa época. Isso aconteceu por volta do ano de 1894 quando houve a fuga desses revoltosos. Segundo a lenda, a coluna de Juca Tigre e do Coronel Sancheseram era composta  de quinhentos homens que passaram por dentro da cidade para abstecerem-se de proventos, saqueando fazendas, levando animais e suprimentos e também cometendo grandes bárbaries amedron…

Pintores Paranaenses

A partir do século XIX, a pintura passou a se desenvolver no Paraná, incentivada por pintores como o imigrante norueguês Alfredo Andersen, e Guido Viaro, o segundo vindo da Itália. Ambos dedicaram-se ao ensino das artes visuais, além de pintarem suas obras inspiradas principalmente nas paisagens e temas do cotidiano paranaense. Responsáveis também pela formação de novas gerações de artistas no estado, como o exemplo de Lange Morretes, Gustavo Kopp e Theodoro de Bona, todos nascidos no Paraná.
Alfredo Andersen, apesar de norueguês, viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, e ainda hoje é tipo como o pai da pintura paranaense. Foi ele o primeiro artista plástico atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no estado. Ele se envolveu de forma muito intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura. Rogério Dias, outro grande exemplo, sempre foi autodidata, sua trajetória artística tem sido uma soma de anos de paciente e inc…