12.8.13

A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade


Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. Estudou em Minas Gerais e Rio de Janeiro, começou sua carreira de escritor como colaborador no jornal Diário de Minas. Muito admirado por suas obras e seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1987.
O autor escreveu sua principal obra “A Rosa do Povo” entre 1943-1945, época em que o mundo passava por grandes sofrimentos. É possível sentir a tensão que obrigava Drummond a transformar sua poesia em um instrumento de combate aos horrores da II Guerra Mundial, ao autoritarismo do Estado Novo e a ditadura de Getúlio Vargas.
A Rosa do Povo é o mais extenso e o mais variado dos livros de Drummond (55 poemas). A divisão abaixo corresponde a um esquema estabelecido pelo próprio escritor em sua Antologia poética: a poesia social; a reflexão existencial (o eu e o mundo); a poesia sobre a própria poesia; o passado; o amor; o cotidiano; a celebração dos amigos.

Poesia social

Pelo menos vinte e quatro dos cinquenta e cinco poemas de “A Rosa do Povo” podem ser enquadrados na temática “a poesia social” na qual a angústia subjetiva do poeta transforma-se em engajamento e compromisso com a humanidade. De certa forma, é possível distinguir neles uma espécie de sequência lógica que revela as mudanças de percepção do poeta face ao fenômeno social.
O próprio título da obra já traz uma simbologia das ideias sociais: uma rosa nasce para o povo, será a poesia para o coletivo? E Drummond acrescenta ao tema social seu desencanto, seu pessimismo. No poema "A flor e a Náusea", os versos expressam a indignação do poeta diante da situação socioeconômica e política do país e do mundo. Falam da imprensa, dos crimes não publicados, dos jornais que não leem e a vida cotidiana. A flor simboliza a luta, o não conformismo, assim por diversas vezes flores são símbolos de solução nos poemas desse livro. A náusea vem do o mal-estar diante das "fezes, maus poemas, alucinações e espera" diante do caos social.
Diante deste inconformismo dos artistas com a crueldade que se via no mundo em geral (a impotência da poesia só para criar beleza), o mineiro Drummond tem uma pergunta que nunca deixou de se fazer: para que serve a poesia? E demonstra sua importância no poema "Carta a Stalingrado", onde o autor diz que a poesia foi parar nos jornais. 

Poesia Metalinguística ou Poesia sobre a própria Poesia

É escrever poesia falando sobre o próprio ato de fazer poesia e esse é um dos temas mais caros ao poeta, ele acredita na força da "palavra poética". A metapoesia, também conhecida como poesia metalinguística é bastante empregada, onde o escritor aborda o próprio fazer poético como tema de seus poemas. No primeiro poema do livro, "Consideração do poema", Drummond assegura que apesar de tudo, devemos fazer poesia, mas uma poesia urbana, de um poeta "antenado" deve sair modernista, ou seja, sem que nenhuma tradição a atrapalhe, sem rimas, sem estrofes, sem o cheiro do que é antigo. 

Poesia Do Passado

A ideia do passado e de suas infinitas recordações afeta profundamente a criação poética de Drummond, tanto que alguns de seus mais celebrados poemas giram em torno deste baú de lembranças que, aberto, deixa entrever uma formidável multiplicidade de experiências pessoais, familiares e históricas. Em resumo, o passado é apresentado da seguinte maneira na poesia de Drummond: 

1- O registro realista do quadro familiar e sociocultural do interior rural mineiro de fins do século XIX e início do século XX, (Poema “Retrato de Família”).

2- A evocação de um mundo estritamente pessoal, formado por fatos, palavras e sentimentos que tiveram eco ou atingiram a subjetividade do jovem poeta (Carlos);

3- A projeção do passado (pessoal, familiar, social) no presente, fazendo com que toda a indagação daquilo que ficou para trás seja também uma indagação da identidade atual do poeta e dos outros remanescentes do universo rural / provinciano, recuperados por uma memória que os interpela incessantemente, (Poema “Nova Canção do Exílio” - paródia e homenagem a Gonçalves Dias).

Referências Bibliográficas

ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa e o Povo. Rio de Janeiro: Record, 2001.


De - Dayse Pedroso Moura
Por: Diana Pretto


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