Pular para o conteúdo principal

Dois Irmãos - Milton Hatoum



Autor
  O escritor brasileiro, Milton Hatoum, nasceu em Manaus, em 1952. Começou sua trajetória literária já com um livro premiado, Relato de um Certo Oriente publicado em 1990, onde foi reconhecido e recebeu o  Prêmio Jabuti.
Em seus livros, vemos um  certo sabor autobiográfico, pois neles o autor resgata o universo familiar que testemunhou no século XX, quando ocorreu o desembarque dos primeiros imigrantes em Manaus.  Ao abordar terríveis conflitos familiares, Milton enfoca a decadência dos princípios convencionais, sufocados pelo espaço cada vez mais dominado pela voracidade da globalização.                                      
   Milton Hatoum aborda em seus livros as consequências deste aniquilamento das convenções, o seu reflexo na desorganização das relações familiares, adotando igualmente um certo tom crítico na esfera política, principalmente no que se refere à Ditadura Militar vigente nos anos 60 e 70 no Brasil. O autor evoca os fantasmas do passado para reconstruir no presente as experiências já vividas. Consagrado pela crítica, é considerado um dos principais escritores da literatura contemporânea.                                                                                                                                    
Contexto-histórico
  Um forte traço a pontuar na obra é a questão da identidade, que perpassa toda a cultura pós-moderna, especialmente a literatura, pois representa a busca do próprio ser humano, que hoje se sente como um nômade, um incessante exilado, onde quer que esteja. Este traço é ainda, mais acentuado nesta obra, povoada por personagens que deixaram sua pátria para tentar uma vida nova no Brasil e por seus descendentes, que ainda não se sentem à vontade no lugar que ocupam.
  O fio condutor que guia a construção desta identidade é a memória, praticamente a protagonista da produção literária de Milton Hatoum, pois é ela, bem como sua eventual ausência, que orienta a narrativa. Dois Irmãos  é a obra mais explorada e analisada deste autor, ela apresenta avanços e recuos no tempo, sem uma cronologia linear. Os problemas vão sendo revelados ao leitor aos poucos, conforme o narrador rememora fatos esclarecedores e os encadeia para solucionar os enigmas da história.

Obra
   No início do século XX a cidade de Manaus recebeu vários estrangeiros, entre eles estavam o aprendiz de mascate chamado Halim e a menina Zana, que chegou sob a asa do pai, o viúvo Galib, dono de um restaurante perto do porto.
Halim e Zana casam-se e geram três filhos: Rânia, que nunca irá se casar, e os gêmeos Yaqub e Omar, que vivem em conflito. O casarão que habitam é servido por Domingas, a empregada índia, e mais tarde também pelo filho de pai desconhecido que ela terá. Esse menino chamado Nael — o filho da empregada — será o narrador. Trinta anos depois dos acontecimentos, ele conta os dramas que testemunhou calado. Dois irmãos é a história de como se faz e se desfaz a casa de Halim e Zana.                                                                                                                    
  Apaixonado pela mulher, depois do nascimento dos filhos Halim se condena à nostalgia dos tempos em que não era pai, em que não precisava disputar o amor de Zana, em que os dois tinham todo o tempo do mundo para deitar na rede do alpendre e se entregar aos prazeres sensuais. Pelo que nos conta o narrador, Halim estará sempre à espera da decisão mais acertada diante dos abismos familiares: a desmedida dedicação de Zana a Omar, seu filho preferido; o trauma de Yaqub, o filho que, adolescente, foi separado da família supostamente para amenizar os conflitos com Omar e a relação amorosa entre os gêmeos e a irmã Rânia.                                               
  Sobre Domingas, Nael relata que ela teve uma grande paixão por Yaqub, mas foi estuprada por Omar.  Diante disto a sua paternidade se torna um enigma.
  O enredo se desdobra a partir da volta de Yaqub, que na adolescência foi afastado do convívio familiar por 13 anos, para que as brigas entre ele e Omar fossem amenizadas. Esta decisão marca definitivamente a vida deste personagem, desprezado em prol do irmão.  Ao voltar para casa Yaqub casa-se com Lívia, um antigo amor dos dois irmãos, o que gera mais raiva entre eles.  Nael é marcado pela condição de bastardo e mantém a ideia fixa de desvendar sua paternidade.

Referências:
Hatoum, Milton. Dois irmãos. Disponível em: <www.resumosdelivros.com.br>. Acesso em: 21/06/2013.
Hatoum, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
De: Tatiane


Por: Amanda Bastos Maciel


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RESUMO DA OBRA "VÁRIAS HISTÓRIAS", DE MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de família pobre e mulato, sofreu preconceito, e  perdeu a mãe na infância, sendo criado pela madrasta. Apesar das adversidades, conseguiu se instruir. Em 1856 entrou como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional. Posteriormente atuou como revisor, colaborou com várias revistas e jornais, e trabalhou como funcionário público. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Algumas de suas obras são Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, O Alienista, Helena, Dom Casmurro e Memorial de Aires. Faleceu em 29 de setembro de 1908.
Contexto Histórico
Várias histórias foi publicado em 1896, fazendo parte do período realista de Machado de Assis. Os contos da obra são profundamente marcados pela análise psicológica das personagens, além da erudição e intertextualidade que transparecem, como por ex., referências à música clássica, a clássicos da literatura, bem como a histórias bíb…

Lendas de Guarapuava

Por Elis Oliveira
Há quem acredite que Guarapuava é uma cidade permeada por lendas. Quem nunca ouviu alguém contar a sua versão para a lenda da Lagoa das Lágrimas, um dos lugares mais visitados da cidade, construída por volta de 1964 a 1968, ou a lenda da Capelinha do Degolado, muito conhecida pela região, que foi até tema de um programa de televisão no ano de 2010. Também tema lenda do Baile das Feias, sobre a passagem das tropas de Gumercindo pela nossa cidade, conta-se que no tempo dos maragatos da Revolução Federalista,Guarapuava,como outras cidades do Paraná, sofreram por fazer parte da rota das tropas que vinham do Rio Grande do Sul nessa época. Isso aconteceu por volta do ano de 1894 quando houve a fuga desses revoltosos. Segundo a lenda, a coluna de Juca Tigre e do Coronel Sancheseram era composta  de quinhentos homens que passaram por dentro da cidade para abstecerem-se de proventos, saqueando fazendas, levando animais e suprimentos e também cometendo grandes bárbaries amedron…

Pintores Paranaenses

A partir do século XIX, a pintura passou a se desenvolver no Paraná, incentivada por pintores como o imigrante norueguês Alfredo Andersen, e Guido Viaro, o segundo vindo da Itália. Ambos dedicaram-se ao ensino das artes visuais, além de pintarem suas obras inspiradas principalmente nas paisagens e temas do cotidiano paranaense. Responsáveis também pela formação de novas gerações de artistas no estado, como o exemplo de Lange Morretes, Gustavo Kopp e Theodoro de Bona, todos nascidos no Paraná.
Alfredo Andersen, apesar de norueguês, viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, e ainda hoje é tipo como o pai da pintura paranaense. Foi ele o primeiro artista plástico atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no estado. Ele se envolveu de forma muito intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura. Rogério Dias, outro grande exemplo, sempre foi autodidata, sua trajetória artística tem sido uma soma de anos de paciente e inc…