19.8.13

Muitas vozes de Ferreira Gullar



Autor: José Ribamar Ferreira nasceu em 10 de setembro de 1930 em São Luís, Maranhão. Ao completar 18 anos, mudou seu nome para Gullar, uma adaptação do sobrenome de sua mãe, Goulart. Sobre a mudança de nome, Ferreira Gullar declarou que se tudo na vida é inventado, ele também inventaria seu nome. Publicou seu primeiro livro, Um pouco acima do chão, em 1949, mas esta obra acabou sendo excluída de sua bibliografia oficial. No ano seguinte ganhou um concurso promovido pelo Jornal de Letras com o poema “O galo”. Em 1951, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como revisor na revista O Cruzeiro.  Além dessa, trabalharia também em outras revistas e jornais. Em 1954, publicou A luta corporal. Dois anos depois, participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP). Em 1959, publica o que ele próprio denominou o “Manifesto Neo-concreto” no “Suplemento Dominical”.

Relações do autor com o contexto histórico: Ferreira Gullar viveu e produziu durante o pós-guerra no Brasil, período no qual a sociedade brasileira sofreu profundas mudanças, o fim do governo Vargas e os chamados anos dourados. A década de 1950 que recebeu a alcunha de Anos dourados é considerada uma época de transição entre o período de guerras da primeira metade do século XX e o período das revoluções comportamentais e tecnológicas da segunda metade. Esta época foi considerada a "idade de ouro" do cinema e também foi a época em que Seleção Brasileira de Futebol faturou o seu primeiro título mundial.
Gullar é preso durante a ditadura militar em 1968 e parte para o exílio em 1971.Morou em várias países entre eles Moscou, Peru e Buenos Aires. Em Buenos Aires, escreve sua mais famosa obra, Poema Sujo, que foi publicada no Brasil em 1976 e serviu como um ato pela volta de Ferreira Gullar ao país. No ano seguinte ele retorna ao Brasil, publica diversos outros livros e ganha vários prêmios

A obra “muitas vozes”:
A obra “Muitas Vozes" reúne 54 poemas divididos em quatro partes, sendo que a primeira não recebe nenhum título e as outras três são “Ao rés da fala”, “Poemas recentes” e “Poemas resgatados”.
Ao contrário das outras partes, “Ao rés da fala” surpreende pela forma diferente de tratar alguns de seus temas. Gullar inclui nesta parte os poemas que tratam de seu exílio no Chile e da morte de sua primeira esposa. Por fim, convém ressaltar que após anos de experimentação literária e busca por novas formas de fazer poesia, Gullar volta a realizar em "Muitas Vozes", poemas metrificados e rimados – como pode-se notar mais fortemente na terceira parte do livro, “Poemas recentes”. 
 Assim, através de experiências diversas com a linguagem e o fazer poético, Ferreira Gullar consegue firmar-se como um poeta de vanguarda dentro da literatura nacional. Em "Muitas Vozes" podemos ver reflexões sobre a vida, a morte, memórias da infância, o silêncio e outros temas. O tema da morte, muito frequente no livro pode ser o reflexo da perda do seu filho e sua primeira esposa, na década de 1990.
 Porém, a morte não é vista com medo ou horror, mas sim como objeto de reflexão. Em contraste ao sentimento de dor e perda que o tema da morte traz, vê-se também a celebração da vida e do amor. Gullar havia encontrado um novo amor em sua segunda esposa, a poetisa Cláudia Ahimsa.
"Muitas Vozes" tem como preocupação central a própria palavra e em diversos poemas ele apenas “escuta”, “observa” e “reflete” a vida. Assim, o título do livro pode ser compreendido como a reunião das “muitas vozes” que possuem a poesia de Gullar: as experiências com a poesia formal, o concretismo e neo-concretismo, as temáticas da morte, infância, vida e diversos outros aspectos da poesia do escritor, estão presentes em "Muitas Vozes".


Referências: Caio Navarro de Toledo. 1964: O golpe contra as reformas e a democracia. Revista Brasileira de História vol.24 no.47. 2004. Página visitada em 22/04/2013. http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/muitasvozes/
Gullar, Ferreira: “muitas vozes”. Jose Olimpio editora, 1999.
De: Jean pruchniak


Por: Amanda Bastos Maciel

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