Pular para o conteúdo principal

O Rei da Vela - Oswald de Andrade


Autor
   José Oswald de Andrade nasceu em uma família abastada e graduou-se em direito. Contudo, sempre teve grande interesse e envolvimento com o jornalismo e a literatura.
Em 1911, antes de se formar advogado, fundou em São Paulo um semanário de crítica e humor, que utilizava para publicar seus próprios trabalhos na área do jornalismo literário.
   Fundou junto com outros intelectuais o jornal “Papel e tinta”, logo em seguida organizou a Semana da Arte Moderna de 1922. Juntando as ideias estéticas da Semana de Arte Moderna junto a ideias nacionalistas, deu início, em 1924, ao movimento Pau-Brasil. Oswald foi autor do “Manifesto Antropofágico”, onde sugeriu que as culturas estrangeiras fossem devoradas e que o Brasil criasse sua própria cultura revolucionária.
   Todavia, a vida de Oswald foi abalada pela Crise de 29, onde encontrou-se sem dinheiro e foi várias vezes levado à prisão devido às suas associações políticas.  Em 1945, tornou-se professor da USP, emprego em que permaneceu pelo resto de sua vida.
   Oswald morreu aos 64 anos e suas peças, poesias e romances foram fundamentais para a literatura brasileira, uma vez que foi fonte precursora de dois movimentos importantíssimos na cultura brasileiro na década de 60: o concretismo e o tropicalismo.


Contexto Histórico

A época em que Oswald de Andrade escreveu suas obras, principalmente O Rei da Vela, foi um período muito conturbado, principalmente no que diz respeito ao quadro político-social.
Primeiramente, a Crise de 1929, abalou financeiramente não só o Brasil, mas vários países do mundo. Depois ocorreu a Revolução de 30, um movimento armado que pôs fim à chamada República Velha com o Golpe de Estado, um golpe que culminou com a deposição do atual presidente Washington Luiz, o impedimento da posse do presidente eleito Júlio Prestes e com a ascensão ao poder de Getúlio Vargas. Mais tarde, como Oswald residia em São Paulo, teve que passar também pela Revolução Constitucionalista de 32, movimento contrário à ditadura de Vargas que exigiu que o país tivesse uma constituição e, consequentemente, uma postura mais democrática.


Resumo e Análise da Obra

O Rei da Vela é uma peça teatral apresentada em três atos que demonstra o quadro social brasileiro da década de 30. Ela conta a história de Abelardo I, um agiota inescrupuloso que tinha como principal atividade financeira fazer empréstimos e depois fazia de tudo para tirar o máximo de dinheiro possível de seus devedores, não se cansava até deixá-los sem nada.
Abelardo I é um burguês em ascensão que acumulou riquezas às custas das privações alheias. Ele tirou proveito da economia quebrada pela Queda da Bolsa de Valores de Nova York para investir nos mais variados negócios, como o café e indústria.  Mas o carro chefe dos negócios era a fabricação de velas.
Era um negócio lucrativo, pois devido a falência das companhias elétriacas todos estavam comprando velas para iluminar seus lares, e também era costume popular colocar uma vela na mão de cada morto, então Abelardo I lucrava também com a morte das pessoas. Ele era o retrato do burguês que ascendia à custa da pobreza e das crenças populares.
Abelardo I tinha uma noiva, Heloísa de Lesbos. A moça representava a classe fazendeira em decadência, pois era filha de um grande latifundiário que se afunda em perversão e vícios até ir à falência. A união dos dois é uma metáfora à fusão das duas grandes classes sociais diretamente influenciadas pelo sistema capitalista, os latifundiários em decadência e a burguesia em ascensão.
Há outros personagens na peça que também carregam grande importância na sociedade da época. Pinote representa os intelectuais e artistas da época que não sabem se seguem com seu compromisso social ou rendem-se a servir à burguesia, como é o seu caso. Outra peça importante na história é Mr. Jones, investidor norte-americano que representa a entrada do capital estrangeiro no país e revela um Brasil com uma enorme dívida com os Estados Unidos e Inglaterra.
Os personagens Heloísa, Abelardo I e Mr. Jones representam as forças locomotoras da sociedade brasileira: a aristocracia rural, que se une à burguesia nacional ascendente, para servir ao capital estrangeiro.
O primeiro ato acontece no escritório de Abelardo I e resume-se aos seguintes fatos. Entra Abelardo II, seu empregado ambicioso que pretende superá-lo, e um devedor que há anos vem sendo explorado. São mostrados vários outros devedores gritando encarcerados em jaulas enquanto Abelardo I e II analisam as dívidas de seus clientes. Após esse fato, entra a noiva Heloísa.
O segundo ato se passa em uma ilha tropical localizada na Baía de Guanabara e mostra várias cenas onde os personagens exibem certos desvios de personalidade. Heloísa e Mr. Jones flertando um com o outro; a mãe de Heloísa, Dona Cesarina, também se mostra acessível às investidas de seu futuro genro Alberto I; Totó Fruta-do-Conde, o irmão homossexual que rouba o amante, João dos Divãs, da própria irmã, Joana; Perdigoto, irmão da moça, bêbado e jogador viciado, que planeja organizar uma milícia patriótica para reestabelecer a ordem social e conter os latifundiários descontentes; e Coronel Belamino, pai de Heloísa que só faz lamentar pela decadência da aristocracia rural. A relação entre a decadência dos colonos e desvios sexuais é reforçada com a personagem Dona Poloca, pilar das tradições aristocráticas e virgem com mais de sessenta anos, sente-se tentada a dormir com Abelardo I. Além disso, Mr. Jones interessa-se pelo chofer.
O terceiro e último ato da peça ocorre no escritório de Usura. Abelardo I é roubado por seu empregado Abelardo II, fica sem nada e decide se suicidar. Antes de morrer o Rei da Vela lembra Heloísa de que ela deverá se casar com Abelardo II, o ladrão de sua fortuna, e depois fala para Abelardo II que mesmo que ele esteja morrendo o sistema capitalista continuará e a burguesia está condenada, pois um dia os proletários se unirão contra eles. A peça termina com a cerimônia de casamento de Heloísa e Abelardo II.
O vídeo contendo trechos da peça pode ajudar na compreensão da obra.

Referências:
ANDRADE, Oswald de. O rei da vela. 2.ed. Sao Paulo: Globo, 2003. 132p. (Obras completas de Oswald de Andrade).
O Rei da Vela, de Oswald de Andrade. Disponível em: <http://www.passeiweb.com/na_ponta _lingua/livros/resumos_comentarios/o/o_rei_da_vela> Acessado em: 28 de junho de 2011

Oswald de Andrade – Biografia – Uol Educação. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/biografias/oswald-de-andrade.jhtm> Acesso em: 15 de abril se 2013.
De: Willyan Carlos Saggio

Por: Amanda Bastos Maciel

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RESUMO DA OBRA "VÁRIAS HISTÓRIAS", DE MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de família pobre e mulato, sofreu preconceito, e  perdeu a mãe na infância, sendo criado pela madrasta. Apesar das adversidades, conseguiu se instruir. Em 1856 entrou como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional. Posteriormente atuou como revisor, colaborou com várias revistas e jornais, e trabalhou como funcionário público. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Algumas de suas obras são Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, O Alienista, Helena, Dom Casmurro e Memorial de Aires. Faleceu em 29 de setembro de 1908.
Contexto Histórico
Várias histórias foi publicado em 1896, fazendo parte do período realista de Machado de Assis. Os contos da obra são profundamente marcados pela análise psicológica das personagens, além da erudição e intertextualidade que transparecem, como por ex., referências à música clássica, a clássicos da literatura, bem como a histórias bíb…

Lendas de Guarapuava

Por Elis Oliveira
Há quem acredite que Guarapuava é uma cidade permeada por lendas. Quem nunca ouviu alguém contar a sua versão para a lenda da Lagoa das Lágrimas, um dos lugares mais visitados da cidade, construída por volta de 1964 a 1968, ou a lenda da Capelinha do Degolado, muito conhecida pela região, que foi até tema de um programa de televisão no ano de 2010. Também tema lenda do Baile das Feias, sobre a passagem das tropas de Gumercindo pela nossa cidade, conta-se que no tempo dos maragatos da Revolução Federalista,Guarapuava,como outras cidades do Paraná, sofreram por fazer parte da rota das tropas que vinham do Rio Grande do Sul nessa época. Isso aconteceu por volta do ano de 1894 quando houve a fuga desses revoltosos. Segundo a lenda, a coluna de Juca Tigre e do Coronel Sancheseram era composta  de quinhentos homens que passaram por dentro da cidade para abstecerem-se de proventos, saqueando fazendas, levando animais e suprimentos e também cometendo grandes bárbaries amedron…

Pintores Paranaenses

A partir do século XIX, a pintura passou a se desenvolver no Paraná, incentivada por pintores como o imigrante norueguês Alfredo Andersen, e Guido Viaro, o segundo vindo da Itália. Ambos dedicaram-se ao ensino das artes visuais, além de pintarem suas obras inspiradas principalmente nas paisagens e temas do cotidiano paranaense. Responsáveis também pela formação de novas gerações de artistas no estado, como o exemplo de Lange Morretes, Gustavo Kopp e Theodoro de Bona, todos nascidos no Paraná.
Alfredo Andersen, apesar de norueguês, viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, e ainda hoje é tipo como o pai da pintura paranaense. Foi ele o primeiro artista plástico atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no estado. Ele se envolveu de forma muito intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura. Rogério Dias, outro grande exemplo, sempre foi autodidata, sua trajetória artística tem sido uma soma de anos de paciente e inc…