Pular para o conteúdo principal

Então Você Quer Ser Escritor?

Então Você Quer Ser Escritor?- Miguel Sanches Neto

Autor

 (Bela Vista do Paraíso-PR - 1965) é um escritor, Professor universitário, e crítico literário paranaense. Responsável pela coluna semanal da Gazeta do Povo, de Curitiba, em que publica artigos sobre literatura. Também tem contribuído para outros veículos de comunicação como: O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Jornal do Brasil, República, Bravo!, Poesia Sempre e D`Pontaponta.


Contexto
O autor é um dos mais importantes críticos literários contemporâneos do país. Além de ser docente da UEPG, com título de doutorado em Teoria Literária pela Unicamp, escreve para a Gazeta do Povo e a Revista Carta Capital. Embora o gosto por escrever venha desde sua adolescência, o escritor começou a ser reconhecido internacionalmente a partir do lançamento do livro Chove sobre minha infância pela Editora Record em 2000, obra já traduzida para a língua espanhola. Desde então, é um dos nomes mais representativos da nova literatura brasileira. No romance Um amor anarquista, de 2005, narra a história de um grupo de imigrantes italianos da cidade de Palmeira, interior do Paraná que, no final do século XIX, funda a Colônia Socialista Cecília e tenta implantar o amor livre. Escritor eclético, tem navegado por diversos gêneros, porém tem o alicerce de sua obra no romance.

Obras 
A obra é composta por contos que Miguel Sanches Neto escreveu para alguns cadernos, livros e outras publicações. Histórias que trazem o homem, mulher e criança contemporâneas lidando com dilemas e questões da vida que, em uma hora ou outra, todos terão que enfrentar. Vidas inteiras são resumidas em histórias curtas, mas que preservam a profundidade que há em cada personagem.  No conto“Árvores submersas”, que o protagonista Marlus embarca em uma viagem a uma cidade do interior do Paraná atrás de um poeta para organizar uma edição com seus melhores trabalhos. O autor passa ao leitor toda a sensação que envolve o recluso poeta, a escuridão na casa que habita, o ambiente de sua biblioteca e a atração que sente pela sua jovem mulher. Outros contos como esse parecem abandonar o enredo principal, mas para Sanches Neto o que interessa é a evolução da personagem, não o desfecho de alguma história. Também há um pouco de terror psicológico em “Animal nojento”, que se passa durante o preparo da habitual lasanha de domingo. Lembranças da protagonista dos seus primeiros meses de casada se misturam a angústia e raiva que crescem aos poucos a cada vez que seu filho chora, tomando também o leitor, que espera por um final trágico à medida que o choro da criança penetra mais ainda na mente da mãe e de sua própria. De uma depressão pós-parto, o autor parte para a ingenuidade infantil ao lidar com a morte em “O tamanho do mundo”. Pelos olhos de um garoto tirado da aula pelo seu tio, o leitor acompanha todo o velório de seu pai que ele e sua irmã acreditam ser uma festa. Sem entender exatamente o que é a morte, ambos crêem que logo o pai retornará, tudo contado com a mesma simplicidade do protagonista.

Em poucas páginas, Miguel Sanches Neto consegue narrar vidas inteiras, como em “Seios de menino”, em que o protagonista nos mostra seus dias de universitário e a relação com seu professor, indo até suas lembranças de infância com o retorno à cidadezinha onde vivia. Reencontros ilustram vários dos contos, expondo histórias que até então ficavam escondidas pelo tempo. Em “Não comerás carne”, dois irmãos se reencontram depois de anos de separação e voltam a lembrar do pai opressor e da mãe que sofria. E um livro de contos eróticos faz um escritor que ministrava oficinas literárias lembrar de alunos com talentos duvidosos em “Então você quer ser escritor?”. O encontro de um homem com o antigo diário de um voluntário na Guerra do Paraguai revela o desejo não conquistado de ser herói em “Duas palavras”. Todos os contos revelam algum detalhe a mais sobre as personagens e a condição humana, principalmente de expectativas não alcançadas na vida. Fonte: Taize Odelli disponível em:  http://www.amalgama.blog.br/05/2011/entao-voce-quer-ser-escritor/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RESUMO DA OBRA "VÁRIAS HISTÓRIAS", DE MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de família pobre e mulato, sofreu preconceito, e  perdeu a mãe na infância, sendo criado pela madrasta. Apesar das adversidades, conseguiu se instruir. Em 1856 entrou como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional. Posteriormente atuou como revisor, colaborou com várias revistas e jornais, e trabalhou como funcionário público. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Algumas de suas obras são Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, O Alienista, Helena, Dom Casmurro e Memorial de Aires. Faleceu em 29 de setembro de 1908.
Contexto Histórico
Várias histórias foi publicado em 1896, fazendo parte do período realista de Machado de Assis. Os contos da obra são profundamente marcados pela análise psicológica das personagens, além da erudição e intertextualidade que transparecem, como por ex., referências à música clássica, a clássicos da literatura, bem como a histórias bíb…

Pintores Paranaenses

A partir do século XIX, a pintura passou a se desenvolver no Paraná, incentivada por pintores como o imigrante norueguês Alfredo Andersen, e Guido Viaro, o segundo vindo da Itália. Ambos dedicaram-se ao ensino das artes visuais, além de pintarem suas obras inspiradas principalmente nas paisagens e temas do cotidiano paranaense. Responsáveis também pela formação de novas gerações de artistas no estado, como o exemplo de Lange Morretes, Gustavo Kopp e Theodoro de Bona, todos nascidos no Paraná.
Alfredo Andersen, apesar de norueguês, viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, e ainda hoje é tipo como o pai da pintura paranaense. Foi ele o primeiro artista plástico atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no estado. Ele se envolveu de forma muito intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura. Rogério Dias, outro grande exemplo, sempre foi autodidata, sua trajetória artística tem sido uma soma de anos de paciente e inc…

Quem tem medo da Serpente?

Reza a lenda que debaixo do solo Guarapuavano existe uma enorme serpente cujo corpo começa com a cabeça na Catedral e termina com sua cauda na Lagoa das Lágrimas.
A estória começou a ser contada em meados do século XX, por mães e professores que queriam meter medo nas criancinhas que cabulavam as aulas na escola que ficava entre a Catedral e a Lagoa (onde hoje é o Fórum) as fazendo ficar desmotivadas a continuar faltando à escola.
Essa lenda pode até não ter convencido as crianças da época, mas não se pode negar que hoje é uma das mais conhecidas da cidade, e certamente faz parte do lado cultural histórico de Guarapuava.
Como toda lenda que se preze, a lenda da Serpente da Lagoa das Lágrimas correu o tempo de boca em boca, aumentando um ponto aqui, diminuindo um ali, até que se criaram diversas versões dessa estória.
Há quem diga que sua cabeça estaria embaixo da Catedral, seu corpo sob o cemitério (que ficava entre a Catedral e a Lagoa) e seu corpo terminava com a cauda na Lagoa.…