13.7.16

Operadores ecológicos: amigos do meio ambiente

A geração total de resíduos sólidos urbanos, comumente chamados por lixo urbano no Brasil em 2014 foi de aproximadamente 78,6 milhões de toneladas, segundo pesquisa Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). De acordo com os dados, representa um aumento de 2,9% em relação, índice superior à taxa de crescimento populacional no país no período, que foi de 0,9%. Na região sul do Brasil, há a finalidade correta em 84,7% do lixo. Os responsáveis por isso, em grande número, foram empresas públicas de limpezas, a conscientização de pessoas e os catadores de material reciclável.
Uma pesquisa do Ipea (Instituto de pesquisa econômico aplicada) publicada em 2013, mostrou que no Brasil existem mais de 387.500 operadores ecológicos. Mais de 58 milhões deles estão no Sul. Os operadores têm grande importância na preservação do meio ambiente, pois de modo geral, eles atuam nas atividades de coleta, triagem e comercialização dos resíduos reutilizáveis e recicláveis, contribuindo de forma significativa para a cadeia produtiva da reciclagem.
Na cidade de Guarapuava, os operadores ecológicos contratados pelo programa jogue certo, conseguem atender 14 bairros da cidade. Há também três caminhões que realizam a coleta seletiva, além dos carrinhos de operadores ecológicos. De acordo com a Prefeitura de Guarapuava, são recolhidas cerca de 400 toneladas de lixo reciclável todo mês. 
                Esse não é o caso do Juliano Antunes, 28 anos, morador de Guarapuava - PR. Ele trabalha com seu próprio carrinho. Começou a vender papelão há quase três anos, após ser demitido da empresa onde trabalhava.  Como tem uma mulher e um filho para sustentar, se viu obrigado a começar nesse trabalho.  Quando questionado se o valor que recebia era suficiente, a resposta é desanimadora: “Na verdade dá pouco, em torno de R$15 a R$20, ou R$30 depende da altura da carga que você leva. Geralmente, você paga uma conta ou você faz uma comprinha”, comenta ele.
                Diariamente, ele leva seu carrinho pelas ruas de Guarapuava. Além do peso do carrinho, tem de aguentar o peso das palavras que ouve. “Sempre tem motorista que xinga, tem motorista que manda tirar “essa ‘caiera’ da rua tá atrapalhando e tal, ou tira essa ‘bicheira’ da rua. No dia a dia, você sempre encontra isso” conta ele.
                Para não fazer parte dos 32 milhões de pessoas que passam fome, ou dos 65 milhões de pessoas que não ingerem a quantidade mínima diária de calorias, ou seja, se alimentam de forma precária, no Brasil, Juliano aguenta esse tipo de desaforo calado, porém ainda sonha com o futuro melhor. Futuro esse que, para ele seria a carreira como policial.
                Diferente de Juliano, seu Dari de Jesus, 55 anos, não trabalha como catador apenas pela questão financeira, mas também pela psicológica. Quando nasceu, sua mãe faleceu no parto. Após algum tempo, seu pai morreu de câncer, e quando achou sua “mulher perfeita”, ela cometeu suicídio. Invadido por lembranças, seu Dari, que já é aposentado, começou a catar lixo reciclável para não pensar em seus familiares.  “Me dá uma tristeza, então eu tenho que sair caminhar, pra não colocar coisa na minha cabeça. Eu começo a pensar na família, no que aconteceu e começo a lembrar, é aí que eu tenho que sair, caminhar”, conta ele.
                 Morador atualmente do Xarquinho, seu Dari já morou em diversos estados e teve várias profissões. Mora em um quartinho perto de um de seus dez irmãos e conta que prefere recolher lixo reciclável que ficar em casa “incomodando”. Tem dias que ele sai de casa às cinco horas da manhã e volta às duas da madrugada. O dinheiro é o que menos lhe interessa. “Eu não gosto de ficar parado, gosto de ficar por aí contando causo, fazendo amizade”, relata. Seu sonho? “Eu espero que Deus me ajude de volta, refazer tudo, reconstruir a vida”.
                Muitos operadores ecológicos nem percebem que estão contribuindo para o meio ambiente, e ainda assim retiram seu único sustento dessa prática. O dinheiro não é muito, mas a preservação da natureza e das gerações futuras estão sendo gradativamente preservadas.
Você sabe quantos anos demora para um pedaço de papelão se decompor? No mínimo 02 meses. Quer saber mais sobre o tempo de decomposição de outros produtos? Confira o gráfico: 





Texto de: Daiane Cristina                                                                                           


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