22.8.16

A Marca da Maldade - A obra Noir de Orson Welles

Você já ouviu falar em Film Noir? Ele é um estilo cinematográfico que teve seu ápice entre as décadas de 1940 e 1950, caracterizado pelo gênero policial, o film noir é recheado de personagens cruéis e inescrupulosos que transitam em ambientes sombrios e com certo ar de perversidade, efeito alcançado por meio da fotografia lúgubre e da trilha sonora, que atua como uma prévia do que está por vir.

Os enredos do film noir exibem uma rejeição pela busca do mundo perfeito, em contrapartida procuram mostrar as maleficências em que mergulha a sociedade. Nesse contexto surge o diretor Orson Welles e sua obra que pode ser considerada o último noir clássico, A Marca da Maldade.
Recheado de influências do barroco e do expressionismo alemão, este filme de Orson Welles se inicia com um plano-sequência onde vemos um homem plantando uma bomba em um carro. Essa cena preliminar, aliada ao presságio apresentado com a trilha sonora, nos permite saber que uma tragédia irá acontecer.
No melhor estilo noir, o enredo transcorre na fronteira entre o México e os Estados Unidos, onde o carro da primeira cena explode logo após cruzar a fronteira. Com uma iluminação de baixa intensidade e o uso de “close ups” nos personagens principais, somos introduzidos a um submundo de crime, decadente e repleto de cinismo.
O policial mexicano Ramon Miguel Vargas, que está presente em cena desde o plano-sequência inicial, decide investigar a explosão que resultou na morte de um milionário americano, porém logo se depara com o detetive local Hank Quinlan. Hank é um personagem ambíguo, o detetive pouco confiável que no desenrolar dos fatos se mostra um homem disposto a tudo para resolver o caso. Vargas e Quinlan rapidamente se desentendem por questões éticas e pelo jeito nada convencional de Quinlan conduzir o caso.
Susan, a esposa de Vargas, assume o papel de “femme fatale”, outra característica forte do film noir, ela é uma mulher que se mostra destemida durante várias cenas, como quando confrontada pelo gangster Joe Grandi, cujo irmão foi preso por Vargas. Susan responde Grandi à altura, não se deixando intimidar e apontando sua independência feminina.
No momento em que os personagens principais chegam a um suspeito, Quinlan revela seu lado corrupto, plantando evidências a fim de resolver o caso e condenar alguém, mesmo que esse alguém não seja de fato o verdadeiro responsável. No transcorrer dos fatos entendemos o porquê de Quinlan agir dessa forma, sua motivação vem do seu passado sombrio. Sua esposa foi estrangulada e Quinlan se culpa por ter deixado o assassino escapar. A partir deste momento ele cria um entendimento de que vale tudo para condenar um criminoso. Ele acredita firmemente que seus métodos são justificáveis e validos, como se a justiça estivesse sendo feita.
Quando Vargas descobre a relação entre todos os casos fechados por Quinlan, ele se presta a desmascarar o detetive. Enquanto ele procura provas e evidências que condenem o detetive, Quinlan nos remete ao seu lado mais sombrio quando orquestra uma falsa orgia regada a drogas com a intenção de desmoralizar Susan perante a sociedade e atingir Vargas. O ápice desta cena está na morte de Joe Grandi, que é estrangulado por Quinlan e largado ao pé da cama onde Susan está drogada, com objetivo de incriminar a moça. O erro de Quinlan e triunfo de Vargas está no descobrimento da bengala do primeiro pelo seu melhor amigo, o também policial Pete Menzies, que surpreendentemente notifica Vargas de seu achado. Em conflito com a ética e a amizade, Menzies acaba por ajudar Vargas em um plano para extrair uma confissão de Quinlan.
Caminhamos então para o desfecho final. Em uma tentativa claramente desesperada, Vargas tenta gravar uma confissão de Quinlan, que bêbado, relembra Menzies de outros casos armados pelos dois. Temos um final memorável na ponte, quando o famoso detetive descobre que está sendo gravado, e atira no seu melhor amigo, sendo morto pelo mesmo enquanto tentava, desesperadamente, acabar com Vargas.

A Marca da Maldade nos apresenta a competência de Orson Welles, tanto na direção quanto na atuação. Nos leva a reflexão sobre a ambiguidade do ser humano, nos apresentando um antagonista que era resumido como “Um policial ruim, mas um homem extraordinário”.



Amanda Crissi

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