2.5.17

Baudelaire e Guys: O pintor da vida Moderna

At the teather - Guys
Charles Baudelaire escreveu um ensaio chamado “O pintor da vida Moderna” iniciado em 1863, sendo concluído em 1868 sob o título de L’Art Romantique. Baudelaire analise a figura do pintor na vida moderna e sua relação com vários setores e pessoas que estão ligadas a arte.
No inicio da obra o autor expõe uma crítica em relação as pessoas que valorizam mais as obras de arte clássicas do que aquelas produzidas por artistas menores. Salienta a importância da moda e da sua contextualização para compreendermos o passado e o presente, pois segundo Baudelaire “o passado é interessante não só pela beleza que dele souberam extrair os artistas para os quais ele era o presente, mas igualmente como passado, por seu valor histórico”. Nesse trecho Baudelaire explana que as vestimentas antigas que provocam risos e espanto carregam valores de uma determinada época. Ao longo da reflexão sobre o “artista” e o “homem do mundo”, o poeta francês utiliza como exemplo um amigo que é Constatin Guys – pintor e desenhista (1805-1892), que conhece muito o mundo da moda. Para Baudelaire, C. G é um típico “homem do Mundo”, pois ele não é somente um artista é um individuo que possui interesse pelo mundo inteiro, que deseja saber, entender e conhecer. Enquanto o “artista” vive no mundo moral e político o “homem do mundo” é uma pessoa espiritual do universo. O “homem do mundo” esta sempre atento com os olhos de águia contemplando as pequenas mudanças, as coisas que parecem insignificantes. Um dos elementos que o “homem do mundo” busca é a modernidade. Esta caracteriza-se pelo transitório, efêmero, como aponta Baudelaire “a modernidade é metade da arte e a outra metade é o eterno e o imutável”. São os pequenos detalhes que o pintor da modernidade arrebata da multidão e tenta representar por meio de seus elementos.

A França, especialmente Paris estava passando por múltiplas transformações urbanas arquitetadas por Haussmann que mudaram profundamente o cotidiano das pessoas. Esse contexto de mudanças permite que Baudelaire escreva e reflita sobre a modernidade em Paris focalizando na arte. Para ele os pintores do século XIX deveriam ter o compromisso de retratar os elementos de seu tempo, ou seja, retratar as mudanças que estavam ocorrendo, a vida moderna. Por isso Baudelaire denomina Guys como “homem moderno”, pois, considera que em suas pinturas o artista contempla as paisagens da cidade (as carruagens, o andar das mulheres, as belas crianças, a limpeza reluzente dos lacaios, a destreza dos criados. Ele torna-se diferente de outras artistas para Baudelaire porque buscou a beleza passageira do presente.


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