25.6.11

"Liberdade de expressão! Deixa eu falar, filho da ****! Expressão!”

            15 de agosto de 1969. Nascia o símbolo da contracultura, o Woodstock.  Lemas como paz e amor, sexo, drogas & rock n’ roll foram implantados. Roupas foram, por vezes, abolidas e a música do The Who, Janis Joplin e de tantos outros artistas embalou 500.000 pessoas.
 
            22 de junho de 2011. O Festival de Glastonbury completa 41 anos e abre os portões da Fazenda  Worthy esperando 150.000 pessoas ao som de Thom Yorke, Coldplay, Beyoncé e mais 300 e tantas outras apresentações não necessariamente musicais.
 
            26 de junho de 2011, parada Gay de São Paulo. Com um itinerário que prevê dez horas de música eletrônica, feira cultural e ciclo de debates, o público estimado será de cerca de 3 mil pessoas.
 
             Penso em palavras-chave para decifrar esse mundo de diversidade e o que me vem de imediato à cabeça é aceitação e coragem. Acho engraçado falar em “aceitar” pessoas. “Aceitar” que eu goste mais do Keith do que do Mick, ou “aceitar” que eu prefiro ficar deitada a ter que fazer exercício físico, “aceitar” que todos temos diferenças e “blábláblá whiskas sachê”.
 
            Também acho que aqueles que participam da Parada Gay, por exemplo, têm muita coragem. Coragem para gritar pro mundo inteiro que não há vergonha nenhuma em ser homossexual e que ser feliz deveria estar na Constituição Federal. Ah, isso sim deveria ser lei.
 
            Citei exemplos como o Woodstock, o Glastonbury e a Parada Gay por motivos óbvios. Não sejamos hipócritas: somos 7 bilhões de pessoas no mundo que buscam aceitação, seja lá de quem for. Dos pais, dos filhos, dos amigos, do chefe. Participar de um evento desses é falar um palavrão bem alto e avisar que sim, você é feliz sendo quem é.
 
            Buscamos expressar que não somos de uma geração ovelha negra, e sim, de uma geração que preferiu fazer as próprias escolhas ao invés de viver amordaçado. Passamos o tempo de ditaduras, passamos o tempo em que optar não era opção, passamos o tempo em que a obrigação falava mais alto que o sentimento.
 
Hoje nós estamos aqui, firmes, fortes, jogando glitter, com a bota suja de lama ou cantando Imagine como mantra. Nós estamos aqui vestindo aquilo que você não aprova, fazendo o que você acha fora da lei, ouvindo quem você não gosta e tentando exercer a minha liberdade de expressão. A minha, a sua, e a de todo mundo que não considera a palavra diversidade como ofensa, e sim, como diferenças humanas livres de preconceitos.

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Crônica inspirada na sessão de fotos da Folha de São Paulo divulgada dia 22/06/2011
http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/3364-glastonbury-2011#foto-66574

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