Pular para o conteúdo principal

Violência doméstica e homossexualismo na Idade Média



      A casa remete a uma arquitetura simples, do campo, na era medieval talvez. Paredes brancas e piso bege dão espaço a móveis rústicos de madeira. A janela é apenas um buraco quadrado na parede, sem ao menos uma cortina, por onde não se vê nada além dos relevos no horizonte. Logo abaixo da janela tem um balcão com vários objetos pessoais, dentre eles uma grande escova de cabelo.
Uma mulher usando um vestido longo e de mangas compridas pega a escova e vira-se à direita para sentar-se em um pequeno banco com assento de palha de frente ao espelho. Para ela, pentear seus cabelos longos em seu quarto é a melhor parte do dia. Depois, vai dormir.
Voltando para casa, uma jovem menina com longos cachos ruivos está com os olhos brilhando e um lindo sorriso no rosto. Se sentindo determinada e confiante, ela decidiu que vai contar para os pais que está apaixonada.
Ao adentrar no que seria a sala da residência, seu pai, usando uma camisa branca e uma calça cinza, está deixando o quarto do casal, onde a esposa encontra-se deitada na cama. O corpo alto e forte e o olhar sério não intimidam a menina.
-Pai, eu preciso contar uma coisa. Estou namorando a vizinha do bosque.
O sorriso permanece no rosto e o brilho no olhar aumenta. Ao contrário disso, o pai capta a surpresa, amarra a cara e começa a andar em direção a filha.
-Minha querida, a melhor parte do dia para mim é quando eu coloco sua mãe sentada no banco de frente para o espelho e bato nela antes de dormir. Vai ser um prazer colocar você e sua namorada no banco também.
Os batimentos da menina aceleram, brilho e sorriso somem. O horror instala em seu peito. Ela não sabia que o pai batia na mãe. Não conseguia processar o que acabava de ouvir. Em meio a um turbilhão de pensamentos, dois ganharam mais atenção. Fugir e deixar a mãe ou ficar e matar o pai?

Acordei com o coração acelerado também. Pude sentir exatamente o que a jovem sentiu. A sensação desagradável foi passando e voltei a dormir.
Não sei qual foi a escolha dela.

Texto: Marcelo Junior.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RESUMO DA OBRA "VÁRIAS HISTÓRIAS", DE MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de família pobre e mulato, sofreu preconceito, e  perdeu a mãe na infância, sendo criado pela madrasta. Apesar das adversidades, conseguiu se instruir. Em 1856 entrou como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional. Posteriormente atuou como revisor, colaborou com várias revistas e jornais, e trabalhou como funcionário público. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Algumas de suas obras são Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, O Alienista, Helena, Dom Casmurro e Memorial de Aires. Faleceu em 29 de setembro de 1908.
Contexto Histórico
Várias histórias foi publicado em 1896, fazendo parte do período realista de Machado de Assis. Os contos da obra são profundamente marcados pela análise psicológica das personagens, além da erudição e intertextualidade que transparecem, como por ex., referências à música clássica, a clássicos da literatura, bem como a histórias bíb…

Lendas de Guarapuava

Por Elis Oliveira
Há quem acredite que Guarapuava é uma cidade permeada por lendas. Quem nunca ouviu alguém contar a sua versão para a lenda da Lagoa das Lágrimas, um dos lugares mais visitados da cidade, construída por volta de 1964 a 1968, ou a lenda da Capelinha do Degolado, muito conhecida pela região, que foi até tema de um programa de televisão no ano de 2010. Também tema lenda do Baile das Feias, sobre a passagem das tropas de Gumercindo pela nossa cidade, conta-se que no tempo dos maragatos da Revolução Federalista,Guarapuava,como outras cidades do Paraná, sofreram por fazer parte da rota das tropas que vinham do Rio Grande do Sul nessa época. Isso aconteceu por volta do ano de 1894 quando houve a fuga desses revoltosos. Segundo a lenda, a coluna de Juca Tigre e do Coronel Sancheseram era composta  de quinhentos homens que passaram por dentro da cidade para abstecerem-se de proventos, saqueando fazendas, levando animais e suprimentos e também cometendo grandes bárbaries amedron…

Pintores Paranaenses

A partir do século XIX, a pintura passou a se desenvolver no Paraná, incentivada por pintores como o imigrante norueguês Alfredo Andersen, e Guido Viaro, o segundo vindo da Itália. Ambos dedicaram-se ao ensino das artes visuais, além de pintarem suas obras inspiradas principalmente nas paisagens e temas do cotidiano paranaense. Responsáveis também pela formação de novas gerações de artistas no estado, como o exemplo de Lange Morretes, Gustavo Kopp e Theodoro de Bona, todos nascidos no Paraná.
Alfredo Andersen, apesar de norueguês, viveu muitos anos em Curitiba e Paranaguá, e ainda hoje é tipo como o pai da pintura paranaense. Foi ele o primeiro artista plástico atuar profissionalmente e a incentivar o ensino das artes puras no estado. Ele se envolveu de forma muito intensa com a sociedade paranaense da época em que viveu, registrando sua história e cultura. Rogério Dias, outro grande exemplo, sempre foi autodidata, sua trajetória artística tem sido uma soma de anos de paciente e inc…