24.8.16

Crônica - Trivialidade moderninha

  “Não sei o que ela quer”, dizia meu amigo em um suspiro atribulado. Pobre alma, acostumado a uma vida boemia foi arrebatado por um relacionamento sério, e agora sofria as mazelas das concepções atuais de namoro.
  Na realidade, nem eu sabia o que ela queria. “Ela não quer que eu deixe ela com ciúmes”. Tal frase ecoou na minha cabeça de forma retórica, afinal me negava a aceitar a condição de que, apesar de serem namorados, ele poderia ser responsável por um sentimento que cresce em outra pessoa.
Para ser sincera nunca entendi as reais definições de um relacionamento sério. Sempre acreditei que as pessoas se relacionam de forma errada e absurda. O que observo constantemente são indivíduos que se anulam e acabam sendo sugados por um apêndice homogêneo, ou o tão afamado “nós”. Agarro-me ao conceito de que quando o “nós” impera, o individuo perde a noção do “eu”. Inúmeras vezes ouvi de amigos frases como “nós estamos muito cansados para sair” ou “nós não achamos uma boa ideia”.
  Não acho saudável que namorados estejam sempre juntos, principalmente no tempo que eu chamo “hora dos Brothers”. Se alguém é incapaz de aceitar o fato de que uma saída com os amigos não significa uma apunhalada nas costas, acredito que tal pessoa não entende o conceito de um relacionamento. Para sermos razoáveis, esqueçamos que um relacionamento se sustenta na paixão, no amor ou no desejo. A meu ver, tudo deve ser fundado pelo respeito, quando se tem esse sentimento pelo semelhante significa que você não faria nada que traísse essa confiança que lhe é atribuída.
  Pensar sobre tal assunto instala um vórtex em minha massa cerebral. Muitas vezes creio que os indivíduos se relacionam por razões erradas e de forma errada. Tenho dúvidas sobre por que as pessoas mudam quando iniciam um namoro, acho tedioso entrelaçar dois universos inteiros em uma massa homogênea chamada “nós”. Como se apaixonar diariamente pelas pequenas peculiaridades quando se passa o tempo tentando moldar o outro a nosso gosto. Por que as pessoas acreditam que alguém pode ser responsável pelo sentimento alheio. Diferentemente do que vocês ouviram de Antoine de Saint-Exupéry, tu não te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Responsáveis por seus sentimentos são os que se deixam cativar.
  Enfim, acredito que ao resolver incluir outra pessoa em sua vida, é isso que deve acontecer, uma inclusão. Cada qual com a sua vida particular, com seus momentos privados, compartilhando seu universo subjetivo com alguém que ame e respeite. Como diria outro amigo meu “alguém para estar junto e separado, alguém que te encontre no meio termo”.
  Não levem como verdade minha opinião sobre tais assuntos, nunca estive em um relacionamento duradouro. Todos sempre acabaram muito cedo por todos os pontos que citei acima. 


Amanda Crissi

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